A cana-de-açúcar

A cana-de-açúcar é um exemplo de cultura renovável e versátil, que pode ser utilizada como fonte de energia limpa e matéria-prima de produtos. O Brasil é hoje o maior produtor mundial de cana-de-açúcar. A modernização das 430 usinas em operação no país, com a adoção de novas tecnologias desde o plantio até a produção de açúcar, etanol e bioeletricidade, fortaleceram o setor, reconhecido mundialmente por seu pioneirismo e sua eficiência produtiva.

Para saber mais sobre a cana-de-açúcar no Brasil, visite o site da UNICA (União da Indústria da Cana-De-Açúcar): http://www.unica.com.br/

  • Onde está o cultivo

    O Brasil é o maior produtor mundial de cana-de-açúcar, responsável por 490 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por ano (safra 2011/2012)*. Cerca de 90% da produção brasileira de cana-de-açúcar é colhida na região Centro-Sul, principalmente no Estado de São Paulo que é responsável por 60%.

    Para garantir que a cultura da cana-de-açúcar não ameace áreas de grande biodiversidade, que são protegidas pela legislação brasileira, novas áreas de plantio devem respeitar o Zoneamento Agroecológico da Cana-de-Açúcar vigente desde 2009. Este é o caso da região da Amazônia que, além de possuir clima impróprio para o plantio da cana-de-açúcar, não está incluída no Zoneamento Agroecológico da Cana-de-açúcar. O mesmo ocorre com outros importantes biomas brasileiros, como o pantanal.

    Assim, os moinhos não têm licença para operar e não atuam nessas regiões sendo que as grandes regiões produtoras de cana-de-açúcar no Brasil estão a mais de 2.500km de distância da Amazônia.

    *Fonte: UNICA (União da Indústria de Cana-de-Açúcar): http://www.unica.com.br/



    Download do Zoneamento Agroecológico
    da Cana-de-Açúcar

  • Disponibilidade de terras


    O Brasil tem condições especialmente favoráveis para a agricultura e para a produção de cana-de-açúcar. Além de possuir dimensão continental, conta com aproximadamente 330* milhões de hectares de áreas aráveis, equivalente à 38,8%* de sua área total. Em 2010, apenas 2,8% dessa área, ou seja, cerca de 9,5* milhões de hectares, foram utilizados para a produção de cana-de-açúcar, sendo aproximadamente 50% deste total direcionados para a produção de etanol e outros 50% para a produção de açúcar.

    Para efeito de comparação, tem-se os seguintes dados em relação ao uso da terra no Brasil: o plantio de soja ocupa 24,2* milhões de hectares, do milho 13,8* milhões hectares e a pecuária 172* milhões de hectares.

    A expansão das áreas de plantio de cana-de-açúcar deverá seguir o Zoneamento Agroecológico para a Cana-de-Açúcar e está prevista para acontecer principalmente na região Centro-Sul do Brasil, que já concentra cerca de 60% da produção e onde ainda se verifica a existência de áreas degradadas e pastagem de baixa produtividade.

    *Fonte: IBGE e CONAB | Elaboração: FIESP-DEAGRO

  • Profissionalização do setor


    O setor sucroalcooleiro no Brasil emprega cerca de 800 mil trabalhadores. A modernização na agricultura teve efeitos importantes também para os trabalhadores, estabelecendo novos parâmetros para a atividade que conta com leis trabalhistas rígidas, que combatem o trabalho infantil e condições de trabalho análogas à escravidão.

    Em 2009, Governo, líderes da indústria e sindicato de trabalhadores firmaram o Compromisso Nacional para Aperfeiçoar as Condições de Trabalho na Atividade Canavieira, um conjunto de 30 melhores práticas de trabalho, que norteia as relações trabalhistas no setor e visa garantir novos direitos e melhor qualidade de vida aos trabalhadores.

    Essas práticas incluem a contratação de trabalhadores sem intermediários; mais transparência nos cálculos de remuneração; apoio a migrantes temporários; melhoria das condições existentes relacionadas à saúde e segurança do trabalho, ao transporte e alimentação do trabalhador; valorização da atividade sindical e da negociação coletiva e a responsabilidade empresarial na comunidade. Por iniciativa própria, a indústria também está investindo em programas de qualificação técnica dos trabalhadores, como o Programa de Requalificação de Trabalhadores da Cana-de-Açúcar (RenovAção), que treina e requalifica 7 mil trabalhadores e integrantes das comunidades por ano. Ele é voltado principalmente para os cortadores de cana, cuja atividade está sendo substituída por processos mecanizados de plantio e colheita de cana-de-açúcar.



    Download do Programa de Requalificação
    de Trabalhadores da Cana-de-Açúcar
  • Perfil da matéria-prima


    Atualmente, não existe nenhuma variedade comercial de cana-de-açúcar geneticamente modificada ou transgênica nas lavouras brasileiras.

    A Política Nacional de Biossegurança relativa a Organismos Geneticamente Modificados (OGM) estabelece normas técnicas de segurança referentes à proteção da saúde humana, dos organismos vivos e do meio ambiente, para atividades que envolvam OGMs e derivados.

    No Brasil, há 28 variedades de culturas transgênicas, liberadas para o plantio pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), órgão ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia. São 15 variedades de milho, oito de algodão e cinco de soja, plantadas em 25,4 milhões de hectares em 2010.

    Saiba mais no site da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio): http://www.ctnbio.gov.br/

  • Consumo de água


    A cana-de-açúcar no Brasil praticamente não é irrigada, pois as necessidades de água na fase agrícola são supridas naturalmente pela chuva nas principais regiões produtoras. A utilização da água está concentrada na fase industrial, principalmente na produção de açúcar, porém em escala reduzida.

    Em muitas usinas se adota o sistema de fertirrigação em que a vinhaça, que é um subproduto da produção de etanol rico em nutrientes orgânicos e água, é levada de volta ao canavial. Essa fertilização orgânica reduz a necessidade de uso de adubos químicos e, por isso, contribui para a redução da emissão de gases do efeito estufa nesta fase do processo.

  • Energia a partir do bagaço


    Grande parte das usinas brasileiras é autossuficiente em energia devido à utilização do bagaço da cana-de-açúcar como matéria-prima na produção de energia limpa. O bagaço de cana-de-açúcar é o subproduto da moagem, processo através do qual é separado do caldo de cana, rico em açúcares.

    O bagaço é utilizado para abastecer as caldeiras, que geram vapor e acionam turbinas geradoras de energia. Esta energia abastece a própria usina e, quando excedente, é enviada ao grid de energia local e comercializada para o abastecimento de cidades.

    A produção crescente desta bioeletricidade proveniente do bagaço combinada com a ampla utilização de etanol faz da cana-de-açúcar a segunda maior fonte da matriz energética brasileira, considerada a mais limpa do mundo. Isto confere ao Brasil um papel de liderança na busca de baixo carbono em soluções para as mudanças climáticas.